Vejam um ciclista, ele gosta de ajudar as pessoas e de preservar a natureza

Olá Visitante
 


  Estrada Colonial do Palnalto Central

 

Atualizado em 22/10/2016

A Estrada Colonial do Planalto Central é o termo com o qual estamos denominando o conjunto de trilhas e caminhos do Século XVIII que ligavam a primeira capital colonial brasileira, Salvador, às antigas capitais das províncias de Goiás , Vila Boa de Goiás (atual Cidade de Goiás), e de Mato Grosso, Vila Bela de Santíssima Trindade. Atravessava o Brasil de leste a oeste, percorrendo cerca de 3000 km entre o Oceano Atlântico e as cabeceiras do Rio Guaporé, na fronteira com a Bolívia. No Planalto Central, passava em Formosa (GO), cortava a porção norte do quadrilátero do atual Distrito Federal, seguia para Pirenópolis (GO), e daí para Goiás (GO). Aberta em 1732, a Estrada Colonial serviu para escoar grande parte do ouro de Goiás. Mesmo após o declínio da atividade aurífera goiana, no início do Século XIX, a estrada continuou desempenhando importante papel de ligação entre as cidades, vilas, fazendas e sesmarias do Planalto.

No Século XX, o desenvolvimento do Planalto Central, impulsionado pela fundação d e Goiânia (1935) e, principalmente, de Brasília (1960), trouxe a moderna malha rodoviária nacional para substituir a Estrada Colonial, que foi abandonada e se perdeu no tempo...


 

Para sempre...? Espero que não!
 

A idéia é redescobrir a Estrada Colonial do Planalto Central para atividades de eco-turismo, ciclo-turismo e off-road.


Com este objetivo, conseguimos reunir alguns ciclistas do Grupo Rebas do Cerrado e o amigo Bismarque Villa Real, que há algum tempo vem trabalhando para o desenvolvimento do ecoturismo na região da Estrada Colonial, para criar uma trilha entre Formosa e Pirenópolis, com cerca de 300 km, sobre alguns dos principais pontos por onde passava a antiga estrada. O grupo está mapeando este trecho desde 2009, com base nos estudos do historiador Paulo Bertran, em documentos históricos, explorações na área e conversas com o pessoal do local. Com uma mountain bike, este percurso poderá ser trilhado em quatro ou cinco dias, em estradas de terra, na maior parte em pequenas estradas de fazenda.




Adicionalmente, estão sendo identificados pontos de pouso em fazendas e sítios e pontos de apoio em cidades e vilas. O projeto da re-abertura da Estrada Colonial tem sido recebido com entusiasmo por parte dos moradores da região.


O trecho da Estrada Colonial que está sendo demarcado apresenta paisagens típicas do cerrado do Planalto Central e passa em diversos pontos de interesse turístico, histórico e geográfico, dentre os quais se destacam:


 
  • O triplo divisor de águas das três mais importantes bacias hidrográficas brasileiras – Amazonas, Paraná e São Francisco – situado na Chapada do Pipiripau, próximo de Formosa, que o Visconde de Porto Seguro indicou para situar a capital do Brasil, em 1877;



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  • O Poço Fundo, poço isolado de águas verdes próximo à Planaltina de Goiás. Além de se constituir numa formação geográfica interessante, foi citado no Roteiro do Ouro do Urbano, entregue à rainha-regente D. Mariana de Portugal em 30 de julho de 1750 como “um poço sem alcance de fundo, verde cor de mar, que não seca nem vaza...”
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    • Os vales do Rio Maranhão, último reduto de índios no território do Distrito Federal, na época da Missão Cruls (1892), e do Rio Verde, de águas verdes, cujo vale bem definido é ladeado por chapadas;



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    • O ponto que cruza o Tratado de Tordesilhas, no meridiano 48° 35’ 25” Oeste, que dividiu as terras da América entre Portugal e Espanha em 1494;



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    • O Parque Estadual dos Pireneus, entre Cocalzinho e Pirenópolis, onde é possível subir o Pico dos Pireneus, bem próximo à estrada;



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  • Os povoados pitorescos, como o do Córrego do Ouro (DF), o da Baixa do Rio Verde (GO) e o de Mamoneiras (GO), este último do Século XVIII;



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  • Os cidades goianas, como Formosa e Cocalzinho, além da histórica Pirenópolis, fundada em 1730 e;



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  • Os fazendas e as pessoas do cerrado, como o Engenho de Seu Valdemar, a Fazenda Desterro do Seu Walter e a Fazenda Benedito de Seu Alípio, esta última com rio e cascata límpida (obs: todos os três são moradores antigos da região e já estavam na área antes de Brasília ser construída);



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  • Os córregos de água cristalina ao longo de todo o caminho, para banhos e;



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  • Os mirantes naturais no alto das chapadas, com ampla visão do cerrado.



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  • Tenho participado ativamente do projeto de reconstrução da Estrada Colonial, com especial enfoque nas atividades de mountain bike e ciclo-turismo. Após estudar a história do local e explorar a área, me convenci de que não se trata de uma estrada comum. Desde o meu curso de graduação em Engenharia Civil, procuro especializar-me em pontes e estradas - pontes de relacionamentos e estradas de ligação entre as pessoas. Então percebi que esta estrada tem uma grande capacidade de conectar pessoas, tanto para as da cidade, que buscam a natureza nos finais de semana e feriados, como para os moradores da região, que desejam recebê-los, interagir e se orgulhar do seu estilo de vida, das suas tradições e do local onde vivem. Isto porque a Estrada Colonial tem o papel simbólico de ligar o velho e o novo. É um elo, no presente, entre a modernidade de Brasília e a natureza e ruralidade dos cerrados do Planalto Central do Brasil. E, como o cerrado é um grande jardim, a Estrada Colonial proporciona um belo passeio dentro dele, na velocidade ideal para se experimentar as melhores sensações deste ambiente.
     

    José Rogerio Vargens



    José Rogerio Vargens é Doutor e Professor de Economia, pratica mountain bike no Grupo de Rebas do Cerrado e participa do projeto de reconstrução da Estrada Colonial (email: jose.rogerio.vargens@gmail.com).

    Referência:BERTRAN, Paulo. História da Terra e do Homem no Planalto Central. Brasília: Verano, 2000.

     
    Mapa - Estrada Colonial do Planalto Central



     
    Acompanhe a evolução do Mapeamento da
    Estrada Colonial do Planalto Central

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    24 de setembro de 2011

    Prosseguem as explorações da Estrada Colonial do Planalto Central. O maior desafio tem sido encontrar um caminho para subir a Chapada da Contagem, no trecho entre Sobradinho e Brazlândia, dentro do Distrito Federal. A região ganhou este nome por causa da Contagem de São João das Três Barras, entreposto real instalado na Estrada Colonial para tributar o ouro oriundo das minas de Goiás. A geografia acidentada e o cerrado bem preservado dificultam o mapeamento da região, mas o trabalho é recompensado com o visual do relevo naturalmente esculpido e os banhos nos córregos que descem e formam os vales. As pessoas do local são muito hospitaleiras. Nossa equipe foi bem recebida e orientada pelo Seu Hélio, proprietário de uma pequena fazenda nas encostas da chapada. Outro fazendeiro, o Seu Osmar, nos convidou para almoçar em sua fazenda, no final da aventura. No final de um dia de exploração, apesar de não ter conseguido ainda subir até o topo da Chapada da Contagem, voltamos para casa levando queijos artesanalmente produzidos pelo Seu Osmar, com uma feliz sensação de estar vivendo intensamente o desafio da Estrada Colonial.

    Rogerio e Arquimedes

    Foto panorâmica da Chapada da Contagem e do single que teremos que subir de bike!

     

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    21 de Março de 2012

    Neste sábado, fizemos uma exploração na Estrada Colonial do Planalto Central de 4x4, no trecho entre Girassol e Pirenópolis, com cerca de 90 km. Foi possível validar o mapeamento prévio baseado nas imagens de satélite e nas explorações anteriores, conversar com pessoas no povoado de Mamoneiras e avaliar possibilidades para a realização de uma cicloviagem neste trecho, em breve.

    Aproveito para agradecer aos companheiros de exploração, pela excelente companhia e pelos resultados alcançados: Bismarque Villa Real, Bárbara Duqueviz, Maurício Oliveira, Maria Cláudia, Sergio Pão de Queijo e Marcão.

    Em anexo, algumas fotos da exploração.

    Abraços,
    Rogerio Vargens

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    27 de Julho de 2012

    No dia 27/7/2012, fizemos mais uma exploração na Estrada Colonial do Planalto Central, para descobrir um caminho para subir a Chapada da Contagem. Aposto muito neste projeto, como forma de desenvolvimento sustentável e reforço da identidade histórica do Planalto Central.

    Agradeço a participação voluntária e decisiva dos amigos Erico Leonardo Ribas Feltrin, Arquimedes Santos, Carlos Augusto Rodrigues Correia e Anelio Freire de Lima. A avaliação desta equipe concluiu que a melhor opção de caminho é levar o mapeamento circundando pela direita da Chapada da Contagem, ao longo das estradas de terra do norte do Distrito Federal.

    Valeu galera!

    Rogerio Vargens

    Exploração da Estrada Colonial na Chapada da Contagem

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    15 de Novembro de 2012

    No dia 15/11/2012, fizemos uma grande exploração na Estrada Colonial do Planalto Central. Foram 80 km de bicicleta por estradinhas de terra dentro do município goiano de Cocalzinho, próximo à Brasília. Como resultado da exploração, devemos eleger para o traçado final da Estrada Colonial o percurso que vai da Fazenda Benedito até o Povoado de Edilandia, passando pela Fazenda Capão da Onça, devido à beleza do percurso, seus rios e a passagem pelas duas fazendas históricas.

    Participaram desta grande aventura: Fabio Malaguti, Leo Feltrin, Flavio Lopes, Rogerio Deotti, João Pagno, Jeferson Ferreira, Jussara Maravalhas, Marcio Bittencourt, Rogerio Vargens e, no apoio, Janice Pereira e Paulo Cesar Santana .

    O trecho é lindo, e muito gostoso de pedalar!

    Rogerio Vargens

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    02 de Março de 2013

    Mais uma exploração para na Estrada Colonial do Planalto Central

    Mais uma vez dentro do cerrado, mapeando a Estrada Colonial. O objetivo: identificar e mapear as trilhas e caminhos antigos no Planalto Central para o mountain bike e outras atividades esportivas. Desta vez, um recorde de 30 pessoas participou! A ideia da Estrada Colonial está se popularizando, e muitos interessados querem tomar parte na aventura do desenvolvimento dela... Assim, resolvemos permitir que mais pessoas pudessem também participar e colaborar e viver a emoção do que é procurar e percorrer estradinhas pequenas dentro dos cerrados do Distrito Federal e de Goiás. Esse foi um percurso difícil de 52 km, entre o Povoado do Córrego do Ouro (DF) e a Fazenda Barra do Dia (GO). No Km 25, os carros 4x4 que davam apoio à exploração foram impedidos de passar e tiveram que voltar pelo caminho já percorrido para esperar os bikers num ponto da BR-251 mais a frente. Aí os ciclistas tiveram que se virar sozinho num trecho sinuoso de 15 km, sem apoio e sem conhecer o percurso, tendo que carregar toda a sua comida e água e com risco de ter que voltar em caso de eventual obstrução da passagem por curso d’água ou restrição de acesso à fazendas. Felizmente deu tudo certo, e terminamos a exploração com um bom banho de cachoeira na Fazenda Barra do Dia.

    Achei esta foto do caminhão especial, de grande beleza e significado. Beira de estrada, em frente a uma vendinha... O veículo parado, que lembra o movimento dos caminhões velhos e também dos carros de boi pelas estradas de terra vermelha e piçarra de Goiás... Talvez até muito tenha carregado e ajudado para a construção e desenvolvimento de Brasília, nas décadas de 1960, 70 ou 80. O verde e, principalmente, o céu azul, também estão presentes, elementos inconfundíveis do Planalto Central... O esforço de subir na carroceria reflete a disposição para a exploração da Estrada Colonial e o sorriso denuncia o sabor, a alegria e a felicidade de desfrutar o dia passeando com amigos no grande jardim que é o Planalto Central.

    Agradeço a todos o s 30 participantes dessa exploração, em especial ao Fabio Malaguti (Baurú) pelo desenvolvimento do percurso, ao Christian Tadeu, Leo Feltrin e Wilson Andrade pela ajuda na logística do evento, ao Bismarque Villa Real pelo apoio de 4x4 e a Mariana Galiza e Aline Santos também pelo apoio, cobertura fotográfica de alto nível e pela comida maravilhosa. Valeu galera!!!

    Rogerio Vargens




    PROGRAMA EXIBIDO NO GLOBO REPÓRTER EM 21/10/2016

    Ciclistas refazem caminhos dos desbravadores da Estrada Colonial

    http://g1.globo.com/globo-reporter/videos/t/edicoes/v/ciclistas-refazem-caminho-de-desbravadores-na-estrada-colonial/5395235/
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